Quinta-feira, 25 de Agosto de 2005

CONFIANÇA

1. Que fazer quando alguem que confiava em nós deixa de o fazer de um momento para o outro sem motivos aparentes? Que fazer quando somos impedidos de realizar os nossos trabalhos até ao fim porque estamos doentes? Mesmo sem o saber, se acreditava/confiava nesse alguém, porquê parar de confiar se esse alguem está, por um motivo de força maior, preso a uma cama? É curioso como a confiança é tida em tão pouca conta nos dias que correm. A Confiança foi banalizada. Hoje confio, amanhã simplesmente porque não me apetece já não confio. Como é possível que algo tão puro e belo como a confiança seja reduzida a um simples «ter expectativas em alguém», em «servir alguém enquanto é do seu interesse»?. Mais uma vez, e no seio daquilo a que chamo de cultura light, verifica-se que um dos nossos mais importantes e fundamentais valores virou descartável. É impressionante como se usam e deitam fora as pessoas que acreditavam serem dignas da confiança de alguém. Contudo, esse alguém, uma pobre vítima da chamada lightização da sociedade, pode ter descartado a confiança que tinha, mas esse acto inútil de descarte só levou a que, em vez de descartar, perdesse completamente a confiança que nele tinha. Aqui, é não uma questão de descartar, mas uma questão de, perante os meus olhos, essa pessoa não merecer a confiança daqueles que nele acreditam mas que, contudo, ele trai.


2. Confiança... Essa tão bela palavra e esse tão belo sentimento de compromisso.
As pessoas de hoje em dia esquecem-se de que o acto de confiar pressupõe um compromisso. Contudo, mais uma vez, a sociedade compromete a beleza dos valores. O Compromisso, também ele, é alvo de uma descridibilização nunca antes vista. As pessoas quebram os seus compromissos de uma forma rapidíssima, cruel e, muitas das vezes, não premeditada. O culto do imediatismo e do sensacionalismo leva a que uma pessoa, em breves segundos, quebre todos os compromissos que tem com outros.
Mas, será que comprometemos os nossos compromissos após descartar a confiança que temos nas pessoas ou comprometemos a confiança ao descartar os compromissos que temos com as pessoas??? A resposta é um pouco complicada pois ambos são indissociavéis. Contudo, para mim, é simples compreender pois a confiança deve ser a base de tudo e ao estar comprometida a confiança, é fácil violarmos os compromissos. Pergunto-me: será que ainda existem pessoas que levem os seus compromissos até ao fim? Tenho confiança nas pessoas e esperança que sim.

3. «Hoje, com os jovens, por vezes interrogamo-nos: existem realidades que tornem a vida bela e das quais possamos dizer que trazem uma plenitude, uma alegria interior? Sim, existem. E uma dessas realidades chama-se precisamente confiança».
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Estas palavras, carregadas de uma espiritualidade profunda e penetrante, são do Ir. Roger. Foram proferidas por este ao jornal Público aquando da sua estada em Portugal, em Dezembro de 2004, por ocasião do Encontro Europeu de Taizé, inserido na Peregrinação de Confiança através da Terra.
Foi com muita tristeza que recebi a notícia do assassinato do Ir. Roger. Confesso que, no momento em que recebi a notícia através do noticiário da hora do almoço, na minha cama de hospital, o meu mundo, tudo à minha volta parou. Tentei perceber o que poderia ter motivado Luminita a apunhalar o Ir. Roger, um homem puro de 90 anos, em plena oração da noite, com cerca de 2500 pessoas a assistir? Para além disso, e mais importante, tentei compreender porque alguém assassinaria o Ir. Roger.
O Ir. Roger fez o mundo entender como é importante a fraternidade na diversidade, provocando uma autêntica revolução sem grandes sermões mas apenas pelo seu exemplo de vida, uma vida simples, de oração, de paz, tentando fazer neste mundo uma verdadeira revolução. A Peregrinação de Confiança através da Terra é o máximo exemplo daquilo que o Ir. Roger procurava fazer: criar pontes de diálogo entre todos os cristãos. O Ir. Roger era um homem extraordinário que irradiava paz e que, no auge dos seus 90 anos, exprimia muita paz, calma e serenidade.
Com esta perda, o mundo inteiro, enão apenas os católicos, protestantes e ortodoxos, fica muito mais pobre. O irmão da Confiança, da Reconciliação faleceu, mas a sua obra e o seu legado permanecerão conjuntamente com os jovens que peregrinarão cada vez com mais Confiança na Terra.

retalhado por Jorge Durões às 01:01
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