Domingo, 28 de Agosto de 2005

DOENÇA

1. Tenho tido, ultimamente, muito tempo para escrever. Contudo, esse tempo a mais que tenho tido não é por uma boa razão. A doença. Tenho estado doente, tendo o meu já antigo martírio me pregado uma partida. Graças a uma vida mais que stressada, a uma alimentação pior que má e a um abuso das quantidades de tabaco diariamente consumidas, a minha anemia voltou a atacar, mas desta vez não o fez de uma forma mansa.
Mal estar na noite de dia 15 para dia 16 do corrente mês, ida para o hospital, internamento durante dois dias, uma sensação de casaço extremo e muito frequente, 6 quilos a menos em apenas uma semana, têm levado a que tenha passado os últimos dias literalmente a dormira, não tendo saido de casa, recebendo visitas das poucas pessoas a que posso chamar de amigas para me berrarem aos ouvidos que sou demasiado altruísta e que só sei dar valor aos problemas dos outros, não sabendo tratar de mim...
Neste momento sinto que ainda não estou 100% restabelecido. Acordar às 11 horas, sesta das 15 às 19 horas, deitar às 23 horas levam a que aproveite, e não da melhor forma, apenas 9 horas por dia, passando as outras 15 horas a dormir ou, pelo menos, a descansar na intimidade do meu quarto escuro.
Mas, com descanso e alguns cuidados comigo mesmo, sei que estarei, mais cedo ou mais tarde no pleno exercício das minhas capacidades.


2. Mas o que é, realmente, a anemia?
Diz-se haver anemia (do grego, an = privação, haima = sangue) quando a concentração da hemoglobina sanguínea diminui aquém de níveis arbitrados pela Organização Mundial de Saúde em 13 g/dL para homens, 12 g/dL para mulheres, e 11 g/dL para gestantes e crianças entre 6 meses e 6 anos.

2.1 O que é hemoglobina

A hemoglobina é o pigmento que dá a cor aos glóbulos vermelhos (eritrócitos) e tem a função vital de transportar o oxigênio dos pulmões aos tecidos.

Apesar de ter um cortejo de sintomas e sinais próprios, a anemia não é, em si, uma doença, mas uma síndrome, pois pode decorrer de uma extensa lista de causas.

É a síndrome crônica de maior prevalência em medicina clínica.

2.2 Classificação das anemias

A anemia pode ser aguda ou crônica.

Na anemia aguda (perda súbita de sangue) a falta de volume no sistema circulatório é mais importante que a falta de hemoglobina. A perda de até 10% do volume sangüíneo, como a que ocorre numa doação de sangue, é bem tolerada. Perdas entre 10 e 20% causam hipotensão postural, tonturas e desmaios. Nas perdas acima de 20% há taquicardia, extremidades frias, palidez extrema, e hipotensão, depois choque; se a perda ultrapassar 30%, sem reposição imediata de líquidos intravenosos, o choque torna-se rapidamente irreversível e mortal.

Nas anemias crônicas não há baixa do volume sangüíneo, que é compensado por aumento do volume plasmático.

A falta de hemoglobina, como regra acompanhada de diminuição do número de eritrócitos, suas células carreadoras, causa descoramento do sangue, com palidez do paciente, e falta de oxigênio em todos os órgãos, com os sinais clínicos daí decorrentes. Hipócrates (@400 a.C.) descreveu-os: palidez e fraqueza devem-se à corrupção do sangue.

O sistema nervoso central, o coração e a massa muscular são os órgãos mais afetados, pois são os que mais necessitam oxigênio para suas funções.

A sintomatologia aumenta com a atividade física, pois esta consome oxigênio.

Com hemoglobina entre 9 e 11 g/dL há irritabilidade, cefaléia e astenia psíquica; nos velhos há fatigabilidade e podem ocorrer dores anginosa

Com hemoglobina entre 6 e 9 g/dL há taquicardia, dispnéia e fadiga aos menores esforços.

Com hemoglobina abaixo de 6 g/dL a sintomatologia está presente mesmo em atividades sedentárias e quando abaixo de 3,5 g/dL a insuficiência cardíaca é iminente e toda a atividade impossível.

As queixas espontâneas dos pacientes, entretanto, são menos exuberantes que a descrição acima: sem se aperceberem diminuem progressivamente a atividade física até níveis assintomáticos, e dizem nada sentir.

2.3 Diagnóstico

O hemograma é o exame fundamental para o diagnóstico da anemia. É feito, atualmente, em contadores eletrônicos de grande porte e alto preço (de US$80000 a US$400000), que contam e medem os eritrócitos e geram curvas de freqüência com médias e coeficientes de variação, definindo os parâmetros numéricos da população eritróide. As melhores máquinas distinguem e contam os eritrócitos mais jovens (reticulócitos), permitindo-se assim uma avaliação da produção diária e da resposta regenerativa à anemia.

Complementando-se os números dessa fantástica tecnologia com a observação ao microscópio por um patologista-clínico experiente, a grande maioria dos casos de anemia pode ser caracterizada quanto a seu mecanismo de produção (patogênese), o que leva ao diagnóstico da doença ou evento básico causal (etiologia). Deste modo:
Quando a patogênese é a produção inadequada de hemoglobina, seja por falta de ferro ou por defeito genético na síntese, o hemograma evidenciará a presença de eritrócitos menores que o normal (microcitose), por faltar-lhes conteúdo.
Nas anemias decorrentes de inibição da proliferação eritróide, como na falta de vitamina B12 , no uso de drogas antiblásticas (usadas no tratamento do câncer) ou em algumas doenças próprias da medula óssea, serão notados eritrócitos com volume médio superior ao normal (macrocitose).
Nas anemias que acompanham as doenças crônicas, infecciosas, reumáticas, renais, endócrinas, o hemograma caracteriza-se “por não ser esclarecedor”; devem ser procurados os sinais clínicos e os resultados de exames próprios de cada uma delas.
Nas anemias por excesso de destruição periférica dos eritrócitos (anemias hemolíticas) e nos dias que sucedem uma hemorragia, o hemograma mostrará aumento significativo dos reticulócitos, caracterizando a hiperregeneração reacional do tecido eritróide da medula óssea.


2.4 Tipos de anemia

As anemias mais freqüentes e/ou de particular importância tanto médica quanto social são:
Anemia da carência de ferro (anemia ferropênica)
Anemia das carências de vitamina B12 (anemia perniciosa) e de ácido fólico
Anemia das doenças crônicas
Anemias por defeitos genéticos:
- anemia de células falciformes
- talassemias
- esferocitose
- deficiência de glicose-6-fosfato-desidrogenase (favismo)
Anemias por agressão periférica aos eritrócitos:
- malária
- anemias hemolíticas imunológicas
- anemia por fragmentação dos eritrócito
Anemias decorrentes de doenças da medula óssea:
- anemia aplástica
- leucemias e tumores na medula


3. A Anemia de que Padeço - Anemia Ferropénica
O ferro, por fazer parte da molécula, é indispensável à produção da hemoglobina, pigmento dos glóbulos vermelhos, que lhes permite o transporte de oxigênio, e cuja falta denomina-se anemia. A carência de ferro é a causa mais comum de anemia (anemia ferropênica).

As razões antecedem a história. O homem primitivo, presume-se, alimentava-se como seus assemelhados do topo da escala zoológica: frutas silvestres, ervas palatáveis, ovos avidamente procurados e presas animais, de larvas a mamíferos de porte. Canibalismo talvez fosse um evento vulgar.

Essa dieta natural aportava-lhe ferro ligado a proteínas animais e vitamina C das frutas, combinação apropriada à absorção do ferro no trato digestivo humano. Em épocas de escassez o homem primitivo deveria ser desnutrido, faminto, mas raramente ferropênico.

O sobrenome sapiens, que o diferenciou dos antropóides, levou o homo à invenção da agricultura: a colheita fixou-o ao solo, a fonte previsível de alimentos deu origem à expansão demográfica. Milhares viraram milhões, agora seis bilhões. Não há proteínas animais para tantos e, infelizmente, o trato digestivo humano não evoluiu para os novos tempos: absorve mal o ferro dos grãos, dos tubérculos e das plantas verdes. Crê-se que 20% da população mundial não têm, no organismo, reservas de ferro suficientes para repor a hemoglobina: qualquer excesso de demanda desencadeia anemia ferropênica. Esta se transformou em problema de saúde pública de espantosa prevalência.

3.1 Como se desenvolve a anemia ferropênica?

Fora dos casos acima, a anemia da carência de ferro, como regra, independe da alimentação; decorre de perda crônica de sangue. Nas zonas rurais e litorâneas, sem saneamento, a espoliação por verminose, principalmente na infância, é causa comum.

Nas mulheres em idade fértil, o excesso menstrual (hipermenorréia), não notado ou desvalorizado, é a causa de 95% dos casos de anemia ferropênica, e a razão da prevalência desta ser 20 vezes maior em mulheres que em homens. As pacientes (às vezes, também, os médicos), entretanto, custam a crer ser essa a causa da anemia; habituadas à hipermenorréia, consideram-na "normal, porque sempre foi assim" e persistem em procurar na dieta, na "falta de fixação do ferro", motivos outros em detrimento da causa óbvia. O ferro do corpo humano não tem mecanismo de excreção e, certamente, não se evapora: perde-se com a perda de sangue.

Nos homens, e numa minoria de mulheres, a anemia ferropênica decorre de perda crônica de sangue no trato digestivo, por gastrite, úlcera, tumores e inflamações intestinais crônicas. O sangue perdido sai digerido na massa fecal; quando o volume excede 50 gramas as fezes tornam-se escuras, luzidias, e com um cheiro fétido (melena). As pessoas, em geral, não atentam para as próprias fezes: a perda de sangue quase nunca é notada.

3.2 Diagnóstico

O diagnóstico de anemia ferropênica costuma ser fácil: o hemograma mostra a anemia, caracterizada pela presença de glóbulos vermelhos menores que o normal (microcitose), por faltar-lhes conteúdo hemoglobínico. A dosagem plasmática da ferritina, forma química de armazenamento do ferro no organismo, mostra-a muito baixa ou ausente.

3.3 Tratamento

A anemia ferropênica cura-se em dois a três meses com a administração de sulfato ferroso oral. Outros compostos de ferro, mais caros e comercializados com a alegação de que são melhor tolerados pelo trato digestivo, têm absorção insatisfatória. Querer tratar a anemia ferropênica com "alimentos ricos em ferro" (os pacientes geralmente citam fígado, espinafre, feijão, beterraba - esta pela cor) não tem cabimento: o ferro alimentar é sempre insuficiente para esse fim. Se persistir a causa da anemia ferropênica, como por exemplo, em casos de hipermenorréia intratável, a anemia reaparecerá alguns meses ou anos após a cura com o tratamento. Nesses casos sugere-se um controle periódico pelo hemograma, com repetição do tratamento quando necessário.


retalhado por Jorge Durões às 00:49
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Quinta-feira, 25 de Agosto de 2005

CONFIANÇA

1. Que fazer quando alguem que confiava em nós deixa de o fazer de um momento para o outro sem motivos aparentes? Que fazer quando somos impedidos de realizar os nossos trabalhos até ao fim porque estamos doentes? Mesmo sem o saber, se acreditava/confiava nesse alguém, porquê parar de confiar se esse alguem está, por um motivo de força maior, preso a uma cama? É curioso como a confiança é tida em tão pouca conta nos dias que correm. A Confiança foi banalizada. Hoje confio, amanhã simplesmente porque não me apetece já não confio. Como é possível que algo tão puro e belo como a confiança seja reduzida a um simples «ter expectativas em alguém», em «servir alguém enquanto é do seu interesse»?. Mais uma vez, e no seio daquilo a que chamo de cultura light, verifica-se que um dos nossos mais importantes e fundamentais valores virou descartável. É impressionante como se usam e deitam fora as pessoas que acreditavam serem dignas da confiança de alguém. Contudo, esse alguém, uma pobre vítima da chamada lightização da sociedade, pode ter descartado a confiança que tinha, mas esse acto inútil de descarte só levou a que, em vez de descartar, perdesse completamente a confiança que nele tinha. Aqui, é não uma questão de descartar, mas uma questão de, perante os meus olhos, essa pessoa não merecer a confiança daqueles que nele acreditam mas que, contudo, ele trai.


2. Confiança... Essa tão bela palavra e esse tão belo sentimento de compromisso.
As pessoas de hoje em dia esquecem-se de que o acto de confiar pressupõe um compromisso. Contudo, mais uma vez, a sociedade compromete a beleza dos valores. O Compromisso, também ele, é alvo de uma descridibilização nunca antes vista. As pessoas quebram os seus compromissos de uma forma rapidíssima, cruel e, muitas das vezes, não premeditada. O culto do imediatismo e do sensacionalismo leva a que uma pessoa, em breves segundos, quebre todos os compromissos que tem com outros.
Mas, será que comprometemos os nossos compromissos após descartar a confiança que temos nas pessoas ou comprometemos a confiança ao descartar os compromissos que temos com as pessoas??? A resposta é um pouco complicada pois ambos são indissociavéis. Contudo, para mim, é simples compreender pois a confiança deve ser a base de tudo e ao estar comprometida a confiança, é fácil violarmos os compromissos. Pergunto-me: será que ainda existem pessoas que levem os seus compromissos até ao fim? Tenho confiança nas pessoas e esperança que sim.

3. «Hoje, com os jovens, por vezes interrogamo-nos: existem realidades que tornem a vida bela e das quais possamos dizer que trazem uma plenitude, uma alegria interior? Sim, existem. E uma dessas realidades chama-se precisamente confiança».
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Estas palavras, carregadas de uma espiritualidade profunda e penetrante, são do Ir. Roger. Foram proferidas por este ao jornal Público aquando da sua estada em Portugal, em Dezembro de 2004, por ocasião do Encontro Europeu de Taizé, inserido na Peregrinação de Confiança através da Terra.
Foi com muita tristeza que recebi a notícia do assassinato do Ir. Roger. Confesso que, no momento em que recebi a notícia através do noticiário da hora do almoço, na minha cama de hospital, o meu mundo, tudo à minha volta parou. Tentei perceber o que poderia ter motivado Luminita a apunhalar o Ir. Roger, um homem puro de 90 anos, em plena oração da noite, com cerca de 2500 pessoas a assistir? Para além disso, e mais importante, tentei compreender porque alguém assassinaria o Ir. Roger.
O Ir. Roger fez o mundo entender como é importante a fraternidade na diversidade, provocando uma autêntica revolução sem grandes sermões mas apenas pelo seu exemplo de vida, uma vida simples, de oração, de paz, tentando fazer neste mundo uma verdadeira revolução. A Peregrinação de Confiança através da Terra é o máximo exemplo daquilo que o Ir. Roger procurava fazer: criar pontes de diálogo entre todos os cristãos. O Ir. Roger era um homem extraordinário que irradiava paz e que, no auge dos seus 90 anos, exprimia muita paz, calma e serenidade.
Com esta perda, o mundo inteiro, enão apenas os católicos, protestantes e ortodoxos, fica muito mais pobre. O irmão da Confiança, da Reconciliação faleceu, mas a sua obra e o seu legado permanecerão conjuntamente com os jovens que peregrinarão cada vez com mais Confiança na Terra.

retalhado por Jorge Durões às 01:01
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Quarta-feira, 3 de Agosto de 2005

A Festa

O conceito de «festa» que hoje conhecemos funda-se numa tradição milenar iniciada nos primórdios da raça humana.

De facto, desde a época neandertal que conhecemos aquilo a que podemos chamar de antepassado do conceito «festa». As pinturas rupestres encontradas nas paredes de várias grutas espalhadas por esse mundo fora ilustram , na sua maioria, cenas de caça num alusão à celebração realizada antes de o grupo partir para a caça e após esse mesmo grupo voltar.

No entanto, podemos situar o nascimento do conceito de festa propriamente dito na cultura grega, muitos contrapõem esta localização do nascimento concreto do conceito na civilização egípcia. Contudo, e recorrendo às Teorias do Drama e do Espectáculo, facilmente chegamos à conclusão de que a festa egípcia nunca atingiu os chamados níveis de espectacularidade que festas como os Olímpicos ou os cultos festivos aos deuses gregos atingiram. De facto, foi a inovação grega de «espectáculos de entretenimento», e não apenas os cultos religiosos, que permitiram o nascimento de «a festa».

Quando falamos de espectacularidade aliada à problemática da localização do nascimento da festa, falamos de teorias antropológicas bastante fortes, aliadas às teorias do drama e do espectáculo, que ajudaram a enraizar a noção e a tradição festivas na nossa cultura.

Saltemos agora um pouco no tempo, ou seja, regressemos à nossa condição de agentes da pós-modernidade.

Na pós-modernidade em que vivemos, onde a cultura do light e do descartável continua a ser exaltada, onde os prazeres passageiros são uma realidade, o culto da festa surge-nos quase como antítese a toda esta exaltação do passageiro. Aliás, por estar antropológica e sociologicamente enraizada na nossa cultura, a festa continua a subsistir.

Falo agora um pouco das Festas em Honra do Sr. Jesus dos Aflitos em Vila Chã de Ourique. Como anteriormente referi, a festa continua a subsistir, para além de todo o clima pós-moderno de renovação e inovação. Contudo, estes festejos parecem, para além de resistirem, fazerem frente à pós-modernidade. A falta de inovação destes festejos faz com que, ano após ano, se verifique um decréscimo de visitantes que poderia ser colmatado se as diferentes Comissões de Festas decidissem, elas próprias, inovar. E quando falo em inovar não falo só em termos materiais, uma vez que não se pode retirar o mérito de toda a reconversão a que o campus das festas foi sujeito. Falo de uma reconversão em termos ideológicos, em termos de uma reestruturação dos paradigmas que, ao longo dos anos, têm orientado a forma de «fazer e programar» a festa. Pessoalmente, o meu ideal de Comissão de Festas, a comissão que anualmente organiza os festejos e que também anualmente muda, é um pouco diferente. Não havendo vestígios de continuidade de trabalho, todos os anos é encetado um processo produtivo a partir do ponto zero, o que leva, na maioria dos casos e dos exemplos que a sociedade portuguesa nos dá, a uma ineficácia do trabalho final apresentado. Acho premente que uma ou duas pessoas, no máximo, da comissão cessante transitarem para a comissão seguinte, de forma a serem colmatadas algumas contingências, nomeadamente no que concerne ao início dos trabalhos.

Para além da questão «Comissão», a aposta na cultura tem estado, a meu ver, , muito descurada. Quando falo em cultura não a reduzo apenas às mostras/montras/stands que os vários grupos culturais e etnográficos todos os anos apresentam no recinto. Falo em ir mais longe, em ousar. Ousar chamar à festa o teatro, a performance, a instalação. Chamar à festa as denominadas «novas artes do espectáculo» que começam a ter uma grande visibilidade em Portugal. Uma festa não tem de se fechar na sua casula, não tem que conter única e exclusivamente o que se passa na sua terra. A festa tem de se abrir, também, ao de que melhor Portugal tem e produz em termos culturais. É claro que este acto de ousadia não deveria ser infundado, pois não nos devemos esquecer das raízes antropológicas e sociológicas da nossa festa. Por outras palavras, defendo um equilíbrio entre tradição e inovação, um equilíbrio que decerto seruia muito mais benéfico quer para o próprio programa festivo, pois preencheria alguns espaços vazios, evitaria repetições programáticas e, caso a aposta fosse realmente boa, poderia começar a dinamizar pessoas para o recinto dos festejos em horas em que este se encontra mais vazio; como para a população exterior a Vila Chã de Ourique que visita os festejos, pois teriam uma panóplia de eventos a decorrer no recinto, o que dinamizaria não só o espaço, como também atrairia mais pessoas, mais visitantes, dando uma dinâmica e movimento ao local, dinâmica e movimento estes que se demonstram urgentes e necessários, pois verifica-se uma morte das festas não em termos de as pessoas fazerem algo, mas uma morte das festas causada pela falta de dinâmica de inovação e pela exagerada repetição que, ano após ano, se acentua.

Não quero estar a encarnar o papel de maldizente, apenas constato aquilo que vi nos festejos deste ano, em continua comparação com os de anos anteriores.

Se me permitem fazer uma comparação, à guisa de conclusão, o Cartaxo está no bom caminho. A Festa do Vinho todos os anos inova um pouco. Contudo, falta-lhe ainda explorar algumas áreas que poderiam servir de atractivo ao público.

Concluo dizendo que eu, no que me for possível e no que me for proposto, estarei disponível para colaborar no que for necessário, dentro das minhas habilitações práticas.

retalhado por Jorge Durões às 01:27
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